'Maracatu Atômico': show no Rio junta a Nação Zumbi com Jorge Mautner

02/02/2017

Uma canção das mais populares e significativas da história da música popular brasileira promove na noite desta quinta, na Marina da Glória, um inédito encontro de titãs: Jorge Mautner (o seu autor, junto ao guitarrista Nelson Jacobina, morto em 2012), Gilberto Gil (que a gravou, com brilho, em 1974) e a Nação Zumbi (que a regravou com Chico Science em 1996, tornando-a definitivamente um sucesso).

Os três pontos unidos pelo “Maracatu atômico” são as atrações do show principal da noite de abertura do Pepsi Twist Land, festival que segue de quinta até o sábado da semana que vem com uma programação que busca reproduzir o caráter sincrético e inesperado da canção. O festival chega ao Rio, depois de uma estreia em Porto Alegre, trazendo esse encontro em ocasião das mais simbólicas: é Dia de Iemanjá e aniversário dos 20 anos da prematura morte de Chico Science, em um acidente de trânsito, em Olinda.

Chico era um ente querido, um irmão, e tivemos que seguir em frente mesmo sentindo essa perda — conta Lúcio Maia, guitarrista da Nação, que admite ter percebido a coincidência logo que o show foi marcado. Ele certamente será lembrado na noite. Chico Science já é Jesus de Nazaré e os tambores do Candomblé. O maracatu vem do Candomblé, e Chico Science já dominava o cálculo da incerteza de Heisenberg.

Fiquei muito contente e emocionado quando Chico e a Nação Zumbi gravaram o “Maracatu atômico”, após Gil mostrar a música a eles — relata Jorge Mautner.

Segundo o coautor do “Maracatu”, a Nação Zumbi tem a felicidade de trazer em seu nome “o mais formidável herói, o Rei Zumbi dos Palmares”. A memória de Zumbi suscita a pergunta permanente do destino do Brasil: após a abolição dos escravos pela Princesa Isabel, quando virá a segunda abolição, que pela educação dará fim ao abismo onde foram lançados os negros e negras que construíram o país? — pergunta-se o músico.

Mautner esteve presente, espiritualmente, em muitos momentos da Nação Zumbi — informa Lúcio Maia. — Já o Gil esteve fisicamente mesmo. De fato. O primeiro encontro deles foi em junho de 1995, ainda com Chico Science, no show que fizeram no Summerstage, festival de verão a céu aberto, no Central Park.

Quando Gilberto Gil soube que a banda (então uma vibrante novidade da música brasileira com seu álbum de estreia, “Da lama ao caos”) ia se apresentar lá, fez questão que tocassem no mesmo dia — e Chico se juntou ao baiano e sua banda, em memorável improviso. Logo depois, ambos em turnê europeia, eles voltariam a se esbarrar. — Gil estava viajando com o show “Unplugged” e aí, conosco nos mesmos festivais, passou a tocar elétrico também — recorda-se Maia.

No ano seguinte, quando entraram em estúdio para gravar “Afrociberdelia”, Chico e Nação chamaram Gil para participar de uma música,“Macô” (“Ele aprendeu a música na hora, foi super-rápido”, conta o guitarrista). Disco pronto, a gravadora fez uma imposição, depois de uma reunião com a banda: eles teriam que fazer também uma releitura de “Maracatu atômico”. — O próprio Gil me ensinou os acordes da música, porque a gente tinha que gravá-la no dia seguinte.

E o “Maracatu” acabou virando o carro-chefe do disco — conta Maia, que prepara em estúdio, com a banda, “Radiola NZ”, o primeiro álbum de versões da Nação Zumbi, a ser lançado ainda neste ano. Animado com a possibilidade de encontrar velhos amigos no palco, Gilberto Gil acredita que, sob a batuta de Chico Science, a Nação cumpriu exemplarmente a tarefa “de estabelecer as novas pontes entre a música da terra e os novos fluxos da música do mundo”: — E, com o desaparecimento de Chico, eles estão levando adiante o que já podemos considerar um legado da sua própria geração — considera.

O encontro da Nação Zumbi com Gil e Mautner é apenas um dos shows inéditos que o Pepsi Twist promove na edição de 2017.

Ainda hoje à noite, o Dream Team do Passinho faz uma apresentação com recriações das músicas e das coreografias do grupo Jackson 5, formado por Michael Jackson e seus irmãos. — A gente percebia que a pulsação dessa rapaziada de Indiana era a mesma da turma da Rocinha, de Madureira e da Baixada — conta Rafael Nike, integrante do Dream Team. — A gente gosta muito do Jackson 5, respeita a obra deles e quer mostrar o que o Passinho pode fazer.

Quando: Dos dias 2 a 11 de fevereiro. Quintas e sextas, das 21h às 5h; sábados, das 22h às 5h. Quanto: À quintas, R$ 100,00 e R$50 (meia); sextas e sábados, R$ 120 e R$ 60 (meia). Ingressos à venda pelo site e, na hora, na bilheteria Classificação: 18 anos.Na próxima quinta, é a vez de Céu receber Lenine em seu show, para duetos inéditos, em quatro músicas. — Acompanho o Lenine desde o CD “Olho de peixe” (de 1993) — diz Céu. — Nossas melodias são próximas, compartilhamos essa referência da música brasileira de raiz. Programação do Pepsi Twist Land Quinta-feira: Pista 2 — Dream Team do Passinho cantando Jackson 5 Pista 1 — Nação Zumbi em show em homenagem e com participação de Gilberto Gil e Jorge Mautner DJ Nepal Sexta: Pista 2 — Banda Uó Pista 2 — Liniker convida As Bahias e a Cozinha Mineira Pista 1 — Johnny Hooker convida Caio Prado Festa Santo Forte — DJ Tutu Moraes Sábado: Pista 2 – Festa Nas Internas Pista 1 — Criolo Pista 2 — Festa Nas Internas Quinta, dia 9: Pista 2 — Clarice Falcão Pista 1 — Céu convida Lenine Pista 2 — Festa Selvagem Sexta, dia 10: Pista 2 — Otto Pista 1 — Baiana System convida Larissa Luz Pista 2 — Festa Sopa Sábado, dia 11: Pista 1 — Festa Vambora com participação do RiocoreAllStars Pista 2 — Festa Malaka Onde: Marina da Glória – Avenida Infante Dom Henrique, s/n, Glória (2555-2200).

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